HISTÓRICO

A Escola Família Agrícola de Porto Nacional –TO

A Escola Família Agrícola de Porto Nacional é fruto dos trabalhos da COMSAUDE – Comunidade de Saúde, Desenvolvimento e Educação – uma organização não governamental criada no município em 1969, que sempre atuou junto aos trabalhadores do campo, por meio de suas organizações – as Associações de Agricultores Familiares e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

 

Em 1986, a COMSAUDE participou da criação do CTA – Centro de Tecnologias Alternativas, um setor criado para atuar na formação dos agricultores(as) familiares. Em parceria com outras entidades adquiriu uma propriedade rural e construiu uma estrutura física para ser o Centro de Formação dos Agricultores em Tecnologias Alternativas – o CTA.

 

O projeto do CTA durou sete anos e desenvolveu várias atividades com os agricultores(as) familiares, como: cursos de agricultura orgânica, frutos nativos, sementes caboclas, novas tecnologias de custo acessível, cursos nas áreas de apicultura, olericultura, fruticultura, piscicultura, tração animal, políticas agrícolas e outros, de acordo com as necessidades dos agricultores (as) participantes.

 

Apesar da boa aceitação dos agricultores com as atividades do CTA, a equipe avaliou que o êxodo rural continuava aumentando devido, principalmente, à necessidade de escola para seus filhos, pois os poderes governamentais atendiam à população rural, somente na 1ª fase do Ensino Fundamental – 1ª a 4ª séries iniciais.

 

Também, foi detectado o poder de convencimento da agricultura moderna. Alguns trocavam a visão da agricultura familiar pelas atividades da grande produção estimulada pelos pacotes bancários de financiamentos para agricultura, compra de máquinas, sementes híbridas, adubos sintéticos, agrotóxicos, desmatamento do cerrado e outras atividades, que não só deixavam de levar em conta as riquezas naturais, a dignidade das pessoas, como também, levavam os agricultores a uma situação de dependência de recursos externos.

 

Com essas dificuldades e conhecendo em um seminário o modelo de Educação proposto pelas Escolas Famílias Agrícolas sob a direção dos MEPES – Movimento Promocional no Espírito Santo – nasce a ideia, dentro da COMSAUDE, da criação da Escola. Assim, foi pensado o aproveitamento de toda a estrutura do CTA, agora com o objetivo de possibilitar a formação dos filhos dos camponeses, que repassariam aos pais e à comunidade local os conhecimentos adquiridos.

 

Em 1993 iniciou-se a discussão envolvendo as comunidades rurais, o poder público e entidades ligadas ao campo, com objetivo de implantar a Escola Família Agrícola no município de Porto Nacional -TO, a primeira do estado de Tocantins, como uma iniciativa piloto na formação dos filhos (as) dos agricultores (as) familiares.

 

As bases para a gênese da escola foram: 1) Realização do trabalho de base com os agricultores(as), que foi concluída com o processo de matrícula de 30 estudantes, formadores da primeira turma de 5ª série; 2) Negociações com o poder público, firmando convênios para os salários dos profissionais e para manutenção da escola; 3) Formação da equipe de monitores no centro de formação do MEPES – ES; 4) Aproveitamento de toda estrutura do CTA.

 

Em 31 de janeiro de 1994 iniciaram-se as atividades de ensino-aprendizagem da escola. A cada ano uma nova turma, a ampliação da estrutura física, a aquisição de móveis e equipamentos, o aumento da equipe de monitores e o investimento na formação dos profissionais, famílias e estudantes, no sentido de estimular a compreensão da proposta.

 

Fachada principal do prédio inicial

Fachada principal do prédio inicial

Atualmente, no vigésimo ano em funcionamento, a escola oferece a 2ª fase do Ensino Fundamental (6º, 7º, 8º e 9º anos); o Curso Técnico  em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio em quatro anos, e os cursos de Magistério de Nível Médio e Técnico em Agroecologia Integrado ao Ensino Médio em Pedagogia da Alternância, pelo PRONERA – Programa Nacional de Educação nas Áreas de Reforma Agrária.

 

Os(as) estudantes são filhos(as)  de agricultores familiares, pertencentes a  cerca de 300 famílias camponesas,  parte delas organizadas em associações de produtores que residem em 39 municípios, num raio de distância escola-residência que varia de 06 a 600 km.

 

Desde 1994, ano de sua fundação já passaram pela EFA 3.493 (três mil quatrocentos e noventa e três) estudantes que cursaram o Ensino Fundamental II, Ensino Médio Básico, curso Técnico em Agropecuária na modalidade Subsequente, Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio e Magistério de Nível Médio pelo PRONERA – Programa Nacional de Educação nas Áreas de Reforma Agrária.

 

Fachada principal do prédio atual

Fachada principal do prédio atual

Ao longo de sua trajetória, a EFA, por adotar uma pedagogia específica – A Pedagogia da Alternância, além da contribuição na educação formal dos camponeses, tem devolvido a cada ano, à sociedade rural e urbana, seres humanos melhores, mais reflexivos, críticos e comprometidos com a melhoria das propriedades dos estudantes e dos egressos.

 

Outro aspecto a destacar é a oportunidade que a juventude camponesa tem tido de ingressar no mercado de trabalho enquanto técnico e extensionista rural e em outros campos ou, ainda, de acessar as universidades, profissionalizando-se em diversas áreas e ocupando espaços importantes, contribuindo assim para o desenvolvimento do campo e do Tocantins.

 

No ano dedicado à Agricultura Familiar, a EFA orgulha-se do seu papel de agente formador e transformador por meio da educação do e no campo, embora ciente dos inúmeros desafios que ainda lhe são e serão impostos a cada dia.

 

Vista aérea da EFA

Vista aérea da EFA